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Saiba mais sobre o antígeno f !

Referencia bibliográfica: REID, M. E. LOMAS-FRANCIS, C. OLSSON, M.L.
The Blood Group Antigen. Facts Book. 3rd Ed. Elsevier, 2012. Pp.211.
Tradução e adaptação do texto: Ana Lúcia Girello. Março de 2014.

Segundo a nomenclatura da International Society of Blood Transfusion, o antígeno f pertence ao sistema Rh.

Nome: Antigeno f
Nomenclatura ISBT: RH6 ou (004006 ou 4.6)
Nomes obsoletos: ce ou hr
Descrito em 1953.

O antígeno f é um “antígeno composto” expresso em glóbulos vermelhos de fenótipo c+ (RH4) e e+(RH5), sendo estes expressos na mesma proteína Rhce. Exemplo: hemácias dos fenótipos R1r, R0R0

O antígeno f NÃO está presente quando os antígenos c e e estão em proteínas Rh separadas, por exemplo:R1R2

Fig.1. Modelo esquemático das proteínas RhD, RhCE e RhAG.

rhag_genesOcorrencia do antígeno f:
Caucasianos: 65%
Negros: 92%
Asiáticos: 12%

O antígeno f está expresso na proteína Rhce, mas ainda não se compreende exatamente o mecanismo que predispõe à sua formação. Também já está expresso em células de cordão umbilical.

O antígeno f é RESISTENTE ao tratamento das hemácias com enzimas proteolíticas, como ficina, papaína, tripsina e alfa-quimotripsina; e a reagentes Thiol como DTT.

Características dos aloanticorpos anti-f:

–  Reações transfusionais imune-hemolíticas geralmente leves, tardias com possível hemoglobinúria.

–  Também envolvidos em DHPN leves.

Anti-f está frequentemente presente em soros de indivíduos contendo anti-c ou anti-e, formado por indivíduos com antígenos c ou e parciais.

Antígenos compostos: No sistema de grupo sangüíneo Rh, além da existência dos antígenos discretos C, D, E, C e E, ​​há 4 outros antígenos combinados:

–       ce (f),

–       Ce

–       CE (nome obsoleto: Jarvis)

–       cE.

Eles são comumente descritos como antígenos compostos, antígenos produtos de genes na posição cis , ou produtos conjuntos* (*N.T. tradução literal do inglês, mas não utilizado em nosso idioma). O termo é usado para designar o antígeno que é codificado pelo mesmo haplótipo. (isto é, os genes que estão em posição cis ).

O anticorpos contra antígenos compostos são infrequentes, embora não raros.
Tais anticorpos podem ser escondidos por outros anticorpos co-existentes das especificidades Rh mais óbvias. Por exemplo, co-existindo anti-c e/ou anti-E pode mascarar o efeito de anti-f. Sua presença só pode ser demonstrada através de adsorção e eluição com células vermelhas de fenótipos selecionados.

Bibliografia consultada:

REID, M. E. LOMAS-FRANCIS, C. OLSSON, M.L. The Blood Group Antigen. Facts Book. 3rd Ed. Elsevier, 2012. Pp.211.

RUDMANN, S.V. Serologic Problem Solving. AABB Press. 2005.

GENE BANK: http://www.ncbi.nlm.nih.gov/gene?Db=gene&Cmd=ShowDetailView&TermToSearch=6006

RHESUS SITE: http://www.uni-ulm.de/~wflegel/RH/


 

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O que são antígenos eritrocitários compostos? O que é “este tal”de anti-f?

Texto escrito por: Monica LaSarre e Joe Chaffin , Junho 2012.
Tradução e adaptação do texto: Ana Lúcia Girello. Março de 2014.
Disponível em : http://www.bbguy.org/ask/ab-f-1.asp#sthash.YNjKhQv1.dpuf. Acesso em 05/03/2014.

O que é este tal anticorpo Anti-f ?

Esta pergunta é boa! Anti-f pode ser um anticorpo difícil de se entender, mas dado o fato de que ele é dirigido contra um antígeno sistema Rh , é importante tratá-lo com seriedade. Primeiro, é necessário compreender a terminologia utilizada para descrever a genética do sistema Rh .

Modernamente, sabemos que existem cinco principais antígenos do Sistema Rh : D , C, C, E, e. Estes antígenos são os mais importantes dos 58* antígenos já descritos (*N.T.: até a presente data) do sistema Rh. No entanto , os outros antígenos do sistema Rh podem ser importantes , já que os anticorpos podem ser formados e podem causar sérios problemas transfusionais, além de dificuldades no diagnóstico laboratorial.
Uma das singularidades do sistema Rh é o fato de que os antígenos podem ser “formados” pela presença de dois outros antígenos presentes ao mesmo tempo, ou numa combinação genética específica . Estes antígenos são conhecidos como “antígenos compostos “, e o antígeno f (o alvo do nosso anticorpo nesta discussão) é um desses.

O que é o antígeno f?

O antígeno f está presente em uma pessoa que carrega um gene que codifica a proteína RHCE com a presença concomitante dos antígenos “c” e “e”. Em outras palavras, uma pessoa tem o antígeno f se ele ou ela tem pelo menos uma cópia do alelo RHce do gene RHCE.

Olhe para a imagem abaixo:

f

Esta é uma imagem simples que retrata um resultado potencial genético de uma mãe R1R1 X pai R2r resultando hipoteticamente em uma criança que tem o genótipo R1r.

O gene RHD está mostrado em vermelho e o do gene RHCE em verde.
Foram realçados com um círculo os alelos RHce dos genes RHCE, demonstrando que tanto o pai como o filho neste exemplo seria f positivos (note que a mãe não tem RHce, então ela seria f negativo).

Revisão rápida: Existem dois principais genes do sistema Rh : RHD e RHCE . Existem quatro variantes diferentes normais (“alelos” ) do gene RHCE , conhecido como RHCE , RHCe , RHcE , RHce ( eles codificam para as quatro combinações diferentes de C ou c com E ou e ).
Estamos dizendo que o “f” antígeno está presente apenas quando um desses quatro alelos está presente , especificamente , RHce . Ainda não está claro ? Se não, é melhor dar uma relembrada na genética do sistema Rh !

Os anticorpos contra antígenos f são aloanticorpos típicos (imunes), ou seja, eles são formados quando alguém é exposto a antígenos que não possuem em seus próprios glóbulos vermelhos , normalmente durante a gravidez ou transfusão. Isto significa que somente aqueles que são f- (negativo) são elegíveis para formar anti-f.

Então, quem é f- (negativo)?
Bem, a resposta padrão dos livros é que: indivíduos f– (negativos) são aqueles que NÃO têm c e e como parte do mesmo haplótipo , ou seja , são pessoas que não possuem o alelo RHce do gene RHCE .

Mas o que isso significa? Vejamos alguns exemplos :

1 . Um indivíduo com o genótipo R1R2 tem os dois seguintes haplótipos: DCe e DcE. Uma vez que não existem os genes “c” E ” e ” juntos em nenhum dos haplótipos , este indivíduo é f – (negativo) . Este indivíduo pode produzir um anticorpo anti-f se exposto às células vermelhas que carreiam o antígeno f .

2 . Um indivíduo de genótipo rr tem dois haplótipos idênticos: Ambos são dce . Neste caso , uma vez que ambos os cromossomos são portadores de genes de “c ” e “e” no mesmo haplótipo , este indivíduo é f+ (positivo) . Como um resultado , ele não faria anti-f se exposto às células vermelhas do f + (positivo) .

Você já pode ter adivinhado isso, mas a maioria das pessoas que tem o fenótipo f-(negativo) são aqueles tipados como Rh+ (positivo)!
Isto é devido ao fato de que a esmagadora maioria das pessoas Rh- (negativas) têm o genótipo rr , e por isso é muito raro encontrar alguém Rh- onde falte pelo menos uma cópia do gene RHce (e portanto, f -).
Já os indivíduos Rh+ (positivo) podem ser f negativo ou f positivo, a saber:
EX: São três os haplótipos mais comuns de RhD+:
– R0: ele trará então o haplótipo RHce (portanto, sendo f+),
– enquanto nos outros dois, denominados R1 e R2, não! Estes, portanto, serão f-!

Como o anti-f é um anticorpo considerado clinicamente significativo, uma pessoa que produz anti-f deve, uma vez que o anticorpo for devidamente identificado, ser transfundido com sangue f- (negativo). Enquanto isto pode parecer fácil, em contrapartida, não é tão simples selecionar um monte de unidades de sangue e testá-las (fenotipá-las) com anti-f!
Na verdade, para selecionarmos as unidades de hemácias adequadas para transfundir pacientes com anti-f, teremos de fazê-lo de uma maneira “de trás para frente”, e isso é o mais importante para vocês, que atuam em serviços de transfusão hospitalares, entenderem:
Os doadores de sangue que são tanto c- (negativo) ou e- (negativo) são f- negativo , por definição ( ver acima , se isso está claro ).
Como resultado disso, e uma vez que a maioria das pessoas com anti-f são Rh+ (positivo), há duas abordagens comuns para esta situação para encontrarmos unidades de sangue compatíveis para a transfusão:
-Na primeira abordagem, o serviço de hemoterapia realizará testes, em um grupo de doadores Rh+ (a menos que o paciente também tenha anticorpos anti-D), fenotipando-os para o antígeno c (N.T.: =buscar bolsas com o fenótipo c-). Estas unidades são f- , também , portanto, unidades c – (negativo) são então utilizados para a realização de provas cruzadas com o soro dos indivíduos que possuam o anti-f;
-A segunda abordagem considera a utilização de reagente anti-c , e é , portanto, mais atraente, e basicamente o inverso do anterior. O serviço de transfusão simplesmente usa soro do paciente para verificar se há compatibilidade com amostras de células vermelhas a partir de várias unidades de doadores. As unidades compatíveis são então fenotipadas para o antígeno c usando anti-soro anti-c, e aquelas que são c- (negativas) são utilizadas para transfusão. Dentro dessa estratégia , o genótipo Rh mais comum para os doadores de sangue dadas a estes pacientes é R1R1 – um genótipo extremamente comum em doadores de sangue caucasianos .
Você pode estar se perguntando por que usar anti-c soro nas estratégias acima e não anti-e (ou por que não usar os dois ao mesmo tempo), não é?
A razão é simples: o antígeno e é extremamente comum e menos de 2% dos doadores de sangue na maioria das populações são negativos para e. Como resultado, faz mais sentido usar um reagente que tem uma maior chance de sucesso (pois o antígeno c está ausente em 20% dos caucasianos e 4% de doadores de afro-americanos) .

Esta tem sido uma discussão complexa , eu sei! A gestão de anti-f é realmente muito, muito simples na maioria dos casos , mas a compreensão dos “porquês” por trás do que fazemos é muito importante. Releia o acima, se não está claro para você ainda , e não hesite em contactar-nos para mais perguntas !

IMPORTANTE: Por favor note que o acima é opinião dos autores . NÃO é uma consulta médica, nem deve ser usado como justificativa para diferem de procedimentos operacionais padrão da instalação. Por favor, correlacionar as informações acima com recursos publicados , e entender que a orientação dada pode não ser aplicável em sua situação clínica ou laboratorial !

Texto escrito por: Monica LaSarre e Joe Chaffin , Junho 2012.
Tradução e adaptação do texto: Ana Lúcia Girello. Março de 2014.
Disponível em : http://www.bbguy.org/ask/ab-f-1.asp#sthash.YNjKhQv1.dpuf. Acesso em 05/03/2014.